sexta-feira, 29 de abril de 2011

"E é nas débeis palavras que minha consciência repõe a forma que se estabiliza."

   "Às vezes me perguntam por que eu escrevo. Eu poderia responder a verdade para elas, com simples palavras em sentenças já formadas por mim mesmo devido às inúmeras vezes de que tive de me convencer de que isso era o melhor para mim; mas, quando converso com as pessoas, eu posso ver nos olhos delas o que elas realmente querem saber com uma pergunta, e eu posso lhe garantir: algumas perguntas não são feitas para receberem a verdade - e pior: algumas pouco querem uma resposta. A vida é estressante, sabe? Ela cobra coisas que ainda não “deu”, ela te expõe a situações que você nem se interessa, ela te sobrecarrega com cargas que até você sabe que não consegue suportar. Desse jeito, todos precisam de uma válvula de escape. Todos têm uma válvula de escape. E é nas débeis palavras que minha consciência repõe a forma que se estabiliza. Primeiramente tudo era posto em papéis pessoais que serviam para ninguém além de mim mesmo, como cicatrizes que somos obrigados a cultivar com uma espécie de amor e ódio, que, mesmo nos trazendo aquele gosto masoquista de vitória na mente, nos remetem um tempo de dificuldade, tempo de fraqueza; e para o mundo, as fraquezas são fontes apetitosas para novos problemas. Isso nos gera medo. Ridículo, não? Como podemos conquistar algo que iremos temer depois? Aliás, como podemos temer algo que ainda não apareceu? Aos poucos, nós acabamos nos dando a liberdade de expor nossas cicatrizes ao sol e aos outros, tendo cuidado para não piorar sua situação. Eu escrevo coisas que não consigo pensar. Os pensamentos são tão rápidos e os assuntos às vezes tão delicados. Algumas coisas precisam de um tempo para se estabilizarem.
   Sempre achei a dor uma coisa muito pessoal, algo que servisse apenas para mim. Bem, talvez sirva apenas para mim afinal, mas nunca pensei que mostrar ao mundo as marcas que ela me deixou, fosse trazer às pessoas a mesma sensação, o mesmo sentimento… e até as lágrimas que me causou. Nunca pensei que minha dor fosse fazer alguém chorar. Nunca pensei que meu sofrimento fosse um dia dar sinal de que seria compreendido. E eu não me importo mais com o mau uso que alguns fazem com a relação entre texto-sentimento, não me importo mais com os julgamentos que fazem com minha escrita, não me importo mais com os pensamentos errados que surgem quando alguns leem o resultado da dor que de mim saiu. Eu não me importo com nada que não seja meu desabafo. Enquanto o mundo me fizer sofrer, minhas decisões continuarem sendo falhas, amizades acabando por causa de bolhas opacas e máscaras mal-colocadas, eu irei sentir dor, e minha vida é muito pequena para suportar tudo. Que as páginas fiquem feias com as rasuras e a tecla de espaço tenha que ser batida com mais força para inserir o pedido, minha dor sairá de mim em formas de palavras. Então, se voltarem a me perguntar por que escrevo, só terei uma coisa a falar - para alguns pode não ser suficiente, mas para mim é o necessário: eu escrevo porque sofro.
   Sem muito drama, você percebe que sofrer é muito além do que alguém querendo ver você para baixo. Sofrimento é a palavra que alguns colocaram para “pausa para descanso”. Sofrer nada mais é que uma aviso de “descanse para tomar uma nova escolha”. Sofrer é ganhar a oportunidade de girar a moeda mais exata da vida, e, claro, nela só se tem duas opções: sim ou não. Nenhuma dessas opções é a errada. Você só tem que escolher uma e tentar fazer dar certo o caminho que resolveu trilhar. Alguns pegam essa pausa para descanso e simplesmente desistem. Outras estragam o próprio destino por não saber o que fazer. Algumas pessoas sorriem e relevam tudo o que passaram. 
Eu - antes de jogar a moeda e ver para que lado tenho que trilhar - meus caros, escrevo."

- Aleex Zalach

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