a entrega finalmente tinha chegado, mas quem disse que eu fui comer?
meu irmão: já to no final.
eu: de quê?
ele: do sanduíche.
eu: e..?
ok, me senti culpada com essa e fui comer.
ahhh big mac. Meu primeiro sanduíche depois do Mc Lanche Feliz (isso me lembra BATMAN do banheeeeiroo).
A melhor coisa que eu poderia esperar depois de uma aula da Rúbia.
É claro que sanduíches do Mac Donald's não são beeeem sanduíches. E toda essa coisa americana então...
ENFIM,
olhei pro big mac... ele me olhou...
saudade da época em que eu conseguia apreciar um big mac com moderação... a época se foi, assim como o big mac.
minha garganta já se encontrava entalada.
O que eu havia comido no almoço, mesmo?
ah o almoço...
quase não consegui comer.
o assunto do almoço envolvia meu nome e... bundas.
(aviso: se alguém te falar: "a pri disse que sua bunda é bonita." NÃO acredite. Tenho "amigos" que gostam dessa piadinha imbecil, pra depois verem minha reação. Acham que isso é engraçado... e já que Mike não quis resolver o mal entendido, acho melhor já ir avisando aqui, pra não dar no que já deu DE NOVO. E espero também que Melgbison leia isso.)
"ah, só é sem graça quando fazem a piada com você."
no meu caso é SEMPRE sem graça! O nome é meu! e então não é só nome de travesti!!
"a pri é um vaso"
é... lembrando disso eu tive que rir. Tudo bem.. é engraçado sim.
Depois de 30 segundos rindo sem parar meu irmão desistiu de esperar com uma cara séria e riu também. No começo achei que ele estivesse rindo de mim.
ele: ... pokémon...
eu (??): achei que você tava rindo de mim.
ele: e você ta rindo de quê?
eu não sabia se falava.. me engasgando com as risadas: b..b..bundas.
ele arregalou os olhos e riu mais ainda. E eu também, é claro.
passou, voltamos a comer em silêncio.
Daí olhei pra caixa do big mac... não teve jeito, comecei a rir de novo.
ele (rindo também): blastooooise.
...
eu: ainda to nas bundas...
...
Ele não esperava que eu fosse falar isso.
De repente choveu um monte de migalhas de pão de minhoca no meu rosto - não posso culpá-lo por isso, depois de eu ter cuspido o suco de saquinho da minha avó duas vezes (que eu me lembre) na cara dele... provavelmente por causa de alguma piada infame do meu tio...
É, eu já fiz isso.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
a senhora
com a mesma cadeira de plástico branca, o mesmo vestido vermelho comprido, a mesma tiara na cabeça, a senhora descansava na rua.
era a mesma entrada de carros sem portão, a mesma frente da casa... que era azul. *-*, a mesma posição de sempre.
não era todos os dias, nem em dias alternados. Só quando ela queria, ou só quando você parava pra olhar além dos ônibus.
Ela ficava alí, de frente para a W3.
as pessoas apressadas nas ruas passavam e não a notavam. Os que por acaso o faziam, encaravam-na sem entender. "o que a senhora faz aqui? não tem mais nada pra fazer? o tempo corre, a vida é curta. Não há nada de bonito nessas ruas para se olhar. Vá para dentro de casa e coloque ao menos um portão para deixá-la segura. Muitos perigos rondam essa cidade, ainda mais para uma senhora."
a senhora, quando via, respondia com o olhar e uma sobrancelha levantada "vá cuidar de sua vida apressada" - ela não diria "foda-se"...
era a mesma entrada de carros sem portão, a mesma frente da casa... que era azul. *-*, a mesma posição de sempre.
não era todos os dias, nem em dias alternados. Só quando ela queria, ou só quando você parava pra olhar além dos ônibus.
Ela ficava alí, de frente para a W3.
as pessoas apressadas nas ruas passavam e não a notavam. Os que por acaso o faziam, encaravam-na sem entender. "o que a senhora faz aqui? não tem mais nada pra fazer? o tempo corre, a vida é curta. Não há nada de bonito nessas ruas para se olhar. Vá para dentro de casa e coloque ao menos um portão para deixá-la segura. Muitos perigos rondam essa cidade, ainda mais para uma senhora."
a senhora, quando via, respondia com o olhar e uma sobrancelha levantada "vá cuidar de sua vida apressada" - ela não diria "foda-se"...
Como um pêndulo - parte 5
O garoto beirando os 19, porém ainda garoto, sorri passando a mão na barriga enquanto seus colegas carneirinhos riem juntos depois da piada machista.
ELA faz cara feia e não ri, ao contrário de suas "colegas" interessadas no garoto de 19.
ELE faz que não com a cabeça baixa para a folha em sua carteira, não era um dos carneirinhos.
ELA (levanta uma das sobrancelhas): humpf!
ELE olha para cima, com medo de que ELA fosse mais uma daquelas feministas radicais.
ELA: Meu humor ta péssimo hoje... (como quem se desculpa)
ELE (sorri): gostei do seu humor...
ELA faz cara feia e não ri, ao contrário de suas "colegas" interessadas no garoto de 19.
ELE faz que não com a cabeça baixa para a folha em sua carteira, não era um dos carneirinhos.
ELA (levanta uma das sobrancelhas): humpf!
ELE olha para cima, com medo de que ELA fosse mais uma daquelas feministas radicais.
ELA: Meu humor ta péssimo hoje... (como quem se desculpa)
ELE (sorri): gostei do seu humor...
segunda-feira, 26 de julho de 2010
O que eu aprendi assistindo Inuyasha
férias = INUYASHAAAAAA!!!
*-*
"Qual a utilidade do esboço da imortalidade para mim, agora que nunca mais poderemos nos ver de novo e eu passo todos os meus dias derramando lágrimas o suficiente para flutuar o seu despertar?"
Significa para o imperador " Já que eu não posso mais me encontrar com Kagwya Hime, e já que isto me faz triste o suficiente para derramar minhas lágrimas, que bem poderia me fazer o esboço da imortalidade?"
Depois disso o tal imperador disse aos seus servos para queimarem a carta e o rascunho desse poema no topo da montanha mais alta do Japão, a Tsuruga.
A partir daquele momento a montanha passou a se chamar Fushi. Que é a derivação do nome atual: Monte Fuji.
"É verdade... Kagwya Hime voltou à Lua e nunca mais retornou."
Os 5 lagos do Fuji
"Com minha resistência e meu respeito, eu devo estar apta a derrotar o dragão e obter a jóia ao redor de seu pescoço."
"Eu pensei que fosse real, mas quando olhei de perto, era apenas um galho enfeitado com palavras."
"Agora que obtive trajes que não vão queimar nas minhas imortais chamas do amor (blahhh), minhas mangas estão secas das minhas lágrimas melancólicas, e eu poderei ver você novamente, hoje."
"Se eu soubesse que esse manto queimaria sem deixar cinzas, eu não teria duvidado de sua veracidade; ao invés de lançá-lo às chamas, eu teria passado meus dias admirando-o."
"Você não vinha há muito tempo. É verdade que eu esperei pelo Caurim Absorvido de Concha (q diabos é isso??) para não aproveitar, assim como não há pinheiros nem conchas na desolada Enseada de Sumi, a qual ainda é evitada pelas ondas?
"Eu achei que a taça de pedra estaria iluminada com a virtude de Buda, mas eu nem mesmo vejo um lampejo de luz que alguém pode ver na grama cheia de orvalho. O que você realmente procurava no Monte Ogura?"
"Quem se importase tem Lua cheia toda noite?
Aquela coisa irá parar o tempo e fará o mundo tão claro e tranquilo quanto um espelho polido, destruindo tudo, ambos vivos e mortos, no processo."
"Eu me pergunto se a Kagwya Hime no conto de fadas realmente não queria retornar à Lua..."
*-*
"Qual a utilidade do esboço da imortalidade para mim, agora que nunca mais poderemos nos ver de novo e eu passo todos os meus dias derramando lágrimas o suficiente para flutuar o seu despertar?"
Significa para o imperador " Já que eu não posso mais me encontrar com Kagwya Hime, e já que isto me faz triste o suficiente para derramar minhas lágrimas, que bem poderia me fazer o esboço da imortalidade?"
Depois disso o tal imperador disse aos seus servos para queimarem a carta e o rascunho desse poema no topo da montanha mais alta do Japão, a Tsuruga.
A partir daquele momento a montanha passou a se chamar Fushi. Que é a derivação do nome atual: Monte Fuji.
"É verdade... Kagwya Hime voltou à Lua e nunca mais retornou."
Os 5 lagos do Fuji
"Com minha resistência e meu respeito, eu devo estar apta a derrotar o dragão e obter a jóia ao redor de seu pescoço."
"Eu pensei que fosse real, mas quando olhei de perto, era apenas um galho enfeitado com palavras."
"Agora que obtive trajes que não vão queimar nas minhas imortais chamas do amor (blahhh), minhas mangas estão secas das minhas lágrimas melancólicas, e eu poderei ver você novamente, hoje."
"Se eu soubesse que esse manto queimaria sem deixar cinzas, eu não teria duvidado de sua veracidade; ao invés de lançá-lo às chamas, eu teria passado meus dias admirando-o."
"Você não vinha há muito tempo. É verdade que eu esperei pelo Caurim Absorvido de Concha (q diabos é isso??) para não aproveitar, assim como não há pinheiros nem conchas na desolada Enseada de Sumi, a qual ainda é evitada pelas ondas?
"Eu achei que a taça de pedra estaria iluminada com a virtude de Buda, mas eu nem mesmo vejo um lampejo de luz que alguém pode ver na grama cheia de orvalho. O que você realmente procurava no Monte Ogura?"
"Quem se importase tem Lua cheia toda noite?
Aquela coisa irá parar o tempo e fará o mundo tão claro e tranquilo quanto um espelho polido, destruindo tudo, ambos vivos e mortos, no processo."
"Eu me pergunto se a Kagwya Hime no conto de fadas realmente não queria retornar à Lua..."
Como um pêndulo - parte 4 - Hercules
Antes que mais gente comece a perguntar quem é Ele, prestem atenção:
Ele NÃO existe!
Muito menos Ela!
ainda bem...
E me perguntam "então de onde é que você tira essas coisas?"
e eu respondo "da minha cabeça!"
e me pressionam "mas de onde vem a inspiração?"
bom, dessa vez veio assistindo Hercules... sim, o desenho do Hercules.
...férias...¬¬'
Ele (olha para o nada): Quando eu era criança, eu queria ser exatamente igual às outras pessoas.
Ela (com um sorriso de escárnio): Queria ser mesquinho e desonesto?
Ele: Nem todo mundo é assim.
Ela (vira, cruzando os braços): Claro que é...
Ele (volta os olhos para trás, onde Ela se encontra ainda de costas, e de cabeça baixa): Você não é assim.
Ela (pisca os olhos confusa com a proximidade dEle): Como pode saber?
Ele: Eu só sei que... você é a pessoa mais incrível... de tornozelos fracos que eu já conheci.(acrescenta isso rindo pra que Ela não ficasse sem graça).
Ela sorri sem notar. Mas quando nota, fecha a cara e abaixa a cabeça, como se tivesse cometido um erro.
Ele se curva para chegar aos olhos dEla que haviam se escondido atrás da franja.
Ele: Com você eu... não me sinto tão... só..
Ela continua sem sorrir, se afasta dele e senta no banco: Às vezes é melhor ficar só.
"Às vezes é melhor ficar só..."
O limite agora deveria estar concreto.
Ele: Como assim?
Não. Ele ainda parecia ter esperanças.
Ela: Pra evitar o sofrimento.
Ele: Eu nunca... faria você sofrer.
Ele achou que havia entendido.
Ela: EU não quero fazer você sofrer...
Nessa hora Ele foi inclinando, lentamente. As palavras atrapalhadas e apressadas que Ela balbuciava foram ignoradas.. Ele já tinha ouvido tudo antes. Era besteira... pra Ele.
Ela era persistente em manter o foco: Então... vamos fazer um favor a nós dois e... parar com isso... porque... senão nós vamos... só...
Ele estava com vantagem. Estava feito. Ele já havia vencido.
Ele NÃO existe!
Muito menos Ela!
ainda bem...
E me perguntam "então de onde é que você tira essas coisas?"
e eu respondo "da minha cabeça!"
e me pressionam "mas de onde vem a inspiração?"
bom, dessa vez veio assistindo Hercules... sim, o desenho do Hercules.
...férias...¬¬'
Ele (olha para o nada): Quando eu era criança, eu queria ser exatamente igual às outras pessoas.
Ela (com um sorriso de escárnio): Queria ser mesquinho e desonesto?
Ele: Nem todo mundo é assim.
Ela (vira, cruzando os braços): Claro que é...
Ele (volta os olhos para trás, onde Ela se encontra ainda de costas, e de cabeça baixa): Você não é assim.
Ela (pisca os olhos confusa com a proximidade dEle): Como pode saber?
Ele: Eu só sei que... você é a pessoa mais incrível... de tornozelos fracos que eu já conheci.(acrescenta isso rindo pra que Ela não ficasse sem graça).
Ela sorri sem notar. Mas quando nota, fecha a cara e abaixa a cabeça, como se tivesse cometido um erro.
Ele se curva para chegar aos olhos dEla que haviam se escondido atrás da franja.
Ele: Com você eu... não me sinto tão... só..
Ela continua sem sorrir, se afasta dele e senta no banco: Às vezes é melhor ficar só.
"Às vezes é melhor ficar só..."
O limite agora deveria estar concreto.
Ele: Como assim?
Não. Ele ainda parecia ter esperanças.
Ela: Pra evitar o sofrimento.
Ele: Eu nunca... faria você sofrer.
Ele achou que havia entendido.
Ela: EU não quero fazer você sofrer...
Nessa hora Ele foi inclinando, lentamente. As palavras atrapalhadas e apressadas que Ela balbuciava foram ignoradas.. Ele já tinha ouvido tudo antes. Era besteira... pra Ele.
Ela era persistente em manter o foco: Então... vamos fazer um favor a nós dois e... parar com isso... porque... senão nós vamos... só...
Ele estava com vantagem. Estava feito. Ele já havia vencido.
de praxe III
acabaram de acordar.
irmão: último dia.
irmã: graças a Deus.
irmão: tá doida??
irmã: você queria ficar mais tempo?
irmão: ah, entendi.
irmã: pelo menos no colégio a gente não tem que fugir.
irmão: último dia.
irmã: graças a Deus.
irmão: tá doida??
irmã: você queria ficar mais tempo?
irmão: ah, entendi.
irmã: pelo menos no colégio a gente não tem que fugir.
domingo, 25 de julho de 2010
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Como um pêndulo - parte 3
Ele: acredite, você vai enjoar de mim.
(eu to enjoando é de ver esses dois com essa babaquice.)
Ela: É mais fácil VOCÊ enjoar de mim.
(urghh)
Ele: impossível.
As risadas param.
Ela: esqueceu do meu senso possessivo meio estranho?
Ele: isso não existe.
Ele respondeu rápido demais.
Ela: Existe sim! Você ainda não me viu nas minhas... crises.
Ele: ta bom, se isso realmente existe, eu espero não esquecer.
Ela fica de boca aberta como se tivesse levado um tapa na cara.
Ela: é bom que você não esqueça mesmo... pra não cometer o erro de falar comigo de novo. Afinal é aquela coisa de sempre.. me dão a mão e eu quero o braço inteiro.
...
Ele: eu não quis dizer isso.. quis dizer que... que se um dia você ficar possessiva comigo.. eu não vou querer esquecer.
....
Ela: Ah.
(que boba.)
Ela: Não diga isso.
Ele: por que?
Ela: por que você vai se arrepender depois... quando eu ficar... grudenta e irritante.
(minha filha, você já está sendo!)
Ele: você devia parar com isso, eu realmente acho que é impossível que você fique assim. Você mesma diz que odeia gente grudenta..
...
Ela fica muda. Talvez ele tivesse razão.
Ele: e eu já te vi nas suas crises..
Ela: não viu nã.. É.. viu sim.
(eu to enjoando é de ver esses dois com essa babaquice.)
Ela: É mais fácil VOCÊ enjoar de mim.
(urghh)
Ele: impossível.
As risadas param.
Ela: esqueceu do meu senso possessivo meio estranho?
Ele: isso não existe.
Ele respondeu rápido demais.
Ela: Existe sim! Você ainda não me viu nas minhas... crises.
Ele: ta bom, se isso realmente existe, eu espero não esquecer.
Ela fica de boca aberta como se tivesse levado um tapa na cara.
Ela: é bom que você não esqueça mesmo... pra não cometer o erro de falar comigo de novo. Afinal é aquela coisa de sempre.. me dão a mão e eu quero o braço inteiro.
...
Ele: eu não quis dizer isso.. quis dizer que... que se um dia você ficar possessiva comigo.. eu não vou querer esquecer.
....
Ela: Ah.
(que boba.)
Ela: Não diga isso.
Ele: por que?
Ela: por que você vai se arrepender depois... quando eu ficar... grudenta e irritante.
(minha filha, você já está sendo!)
Ele: você devia parar com isso, eu realmente acho que é impossível que você fique assim. Você mesma diz que odeia gente grudenta..
...
Ela fica muda. Talvez ele tivesse razão.
Ele: e eu já te vi nas suas crises..
Ela: não viu nã.. É.. viu sim.
Como um pêndulo - parte 2
Ela: tudo aconteceu tão rápido..
(por que Ela havia mudado de assunto tão de repente?)
Ele: éé! Nem me lembro direito do que a gente tava falando da primeira vez!
Ele parecia estar feliz com a rapidez de tudo.. mal percebeu o que Ela realmente queria falar.
Ela: sabe o que as pessoas dizem, né? "O que vem rápido vai embora rápido".
...
Ele achou que havia entendido onde Ela queria chegar:
eu não vou embora tão cedo.
...
Ela abaixa a cabeça e sorri. Parecia estar segura agora, ouvir aquilo era bom, mas logo vira o rosto como um reflexo de culpa.
Ele: quer dizer... EU não vou embora.
Ela: eu também não quero ir.. mas... mas você sabe como eu sou.
Ele: Como assim?
Ela lutava para falar enquanto Ele lutava para entender.
Ela: Você sabe como eu sou.. inconstante.. Essa é uma boa palavra pra mim.
Ela fala isso rindo com um certo humor negro.
Ele abaixa a cabeça: é, eu sei.
Silêncio. Ela estragara tudo.
Ele levanta do banco, um pouco aborrecido:
Você pensa demais.
...
Ela olha para os sapatos reconhecendo a culpa:
E pensar muito enlouquece.
Ele não podia deixar que Ela escapasse assim tão facilmente.
Logo a puxa do banco e ri para distraí-la novamente:
E desde quando você NÃO é louca?
Pronto, conseguiu. Parecia ser tão fácil fazer com que Ela sorrisse.
(por que Ela havia mudado de assunto tão de repente?)
Ele: éé! Nem me lembro direito do que a gente tava falando da primeira vez!
Ele parecia estar feliz com a rapidez de tudo.. mal percebeu o que Ela realmente queria falar.
Ela: sabe o que as pessoas dizem, né? "O que vem rápido vai embora rápido".
...
Ele achou que havia entendido onde Ela queria chegar:
eu não vou embora tão cedo.
...
Ela abaixa a cabeça e sorri. Parecia estar segura agora, ouvir aquilo era bom, mas logo vira o rosto como um reflexo de culpa.
Ele: quer dizer... EU não vou embora.
Ela: eu também não quero ir.. mas... mas você sabe como eu sou.
Ele: Como assim?
Ela lutava para falar enquanto Ele lutava para entender.
Ela: Você sabe como eu sou.. inconstante.. Essa é uma boa palavra pra mim.
Ela fala isso rindo com um certo humor negro.
Ele abaixa a cabeça: é, eu sei.
Silêncio. Ela estragara tudo.
Ele levanta do banco, um pouco aborrecido:
Você pensa demais.
...
Ela olha para os sapatos reconhecendo a culpa:
E pensar muito enlouquece.
Ele não podia deixar que Ela escapasse assim tão facilmente.
Logo a puxa do banco e ri para distraí-la novamente:
E desde quando você NÃO é louca?
Pronto, conseguiu. Parecia ser tão fácil fazer com que Ela sorrisse.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Terra em Transe
"Eu o seguindo sempre e me perdendo sem nada a fazer nestes dias inúteis e vazios em Eldorado. Um inferno Eldorado. Um inferno me frustrando e me envelhecendo, era assim."
"Somos radicais e extremistas na juventude"
"Você me permite pelo menos isso? Você me permite escolher meus próprios caminhos?"
"A morte nos construindo, florindo, devorando. Convivemos com a morte. Dentro de nós a morte se converte, em tempo diário, em derrota do quanto empregamos, ao passo que vamos, recuamos."
"Engraçado? Eu? Eu sou um trágico!"
"É que nossas famílias 'chegou' nessas 'terra', já tem mais de vinte 'ano'. E a gente cultivou as 'terra', plantou nela e as 'mulher' da gente pariu nessas 'terra'. Agora, a gente não pode deixar as 'terra' só porque 'apareceu' uns 'dono', vindo de não sei da onde, trazendo um papel do crtório e dizendo que as 'terra' é dele."
"A gente tem que gritar!
Gritar com o que?
Com o que sobrar da gente, com os ossos, com tudo!
Cala a boca, você e sua gente não sabe de nada!"
"A fraqueza, gente fraca, sempre gente fraca e com medo."
"A praça é do povo como o céu é do condor,
Já dizia o poeta dos escravos, lutador."
"Não precisamos de heróis!"
"Um dia, quando for impossível impedir que os famintos me devorem, então veremos que a falta de coragem, a falta de decisão..."
"A política e a poesia são demais para um só homem..."
"Não me causam os crepúsculos a mesma dor da adolescência. Devolvo tranquilo à paisagem, os vômitos da experiência..."
"A poesia não tem sentido... Palavras... As palavras são inúteis..."
"Eu trazia uma forte amargura dos encontros perdidos e outra vez me perdia no fundo dos meus sentidos. Eu não acreditava em sonhos, em mais nada. Apenas a carne me ardia e nela eu me encontrava."
"Antes eu queria mudar... E se mudarmos?
Mudar, pra quê? Ir pra onde? E com que armas eu vou mudar?"
"Os ricos nunca pensam que um dia podem acordar pobres."
"Todos são muito simpáticos desde que ninguém os ameace."
"Os extremistas criaram a mística do povo, mas o povo não vale nada. O povo é cego e vingativo. Se derem olhos ao povo, o que fará o povo? Onde está a sua consciência?"
"Estamos podres pelos crimes que cometemos..."
"A morte como fé, não como temor!"
"A culpa não é do povo, mas saem correndo atrás do primeiro que aparece com uma espada e uma cruz."
"A minha loucura é a minha consciência, e a minha consciência está aqui no momento da verdade, na hora da decisão, na luta, mesmo na certeza da morte!"
trechos do filme "Terra em transe", 1967 de Glauber Rocha
(obrigada Gustavo ;D)
(sim, eu fiquei com um papelzinho na mão, parando o filme pra anotar as falas.. ¬¬')
"Somos radicais e extremistas na juventude"
"Você me permite pelo menos isso? Você me permite escolher meus próprios caminhos?"
"A morte nos construindo, florindo, devorando. Convivemos com a morte. Dentro de nós a morte se converte, em tempo diário, em derrota do quanto empregamos, ao passo que vamos, recuamos."
"Engraçado? Eu? Eu sou um trágico!"
"É que nossas famílias 'chegou' nessas 'terra', já tem mais de vinte 'ano'. E a gente cultivou as 'terra', plantou nela e as 'mulher' da gente pariu nessas 'terra'. Agora, a gente não pode deixar as 'terra' só porque 'apareceu' uns 'dono', vindo de não sei da onde, trazendo um papel do crtório e dizendo que as 'terra' é dele."
"A gente tem que gritar!
Gritar com o que?
Com o que sobrar da gente, com os ossos, com tudo!
Cala a boca, você e sua gente não sabe de nada!"
"A fraqueza, gente fraca, sempre gente fraca e com medo."
"A praça é do povo como o céu é do condor,
Já dizia o poeta dos escravos, lutador."
"Não precisamos de heróis!"
"Um dia, quando for impossível impedir que os famintos me devorem, então veremos que a falta de coragem, a falta de decisão..."
"A política e a poesia são demais para um só homem..."
"Não me causam os crepúsculos a mesma dor da adolescência. Devolvo tranquilo à paisagem, os vômitos da experiência..."
"A poesia não tem sentido... Palavras... As palavras são inúteis..."
"Eu trazia uma forte amargura dos encontros perdidos e outra vez me perdia no fundo dos meus sentidos. Eu não acreditava em sonhos, em mais nada. Apenas a carne me ardia e nela eu me encontrava."
"Antes eu queria mudar... E se mudarmos?
Mudar, pra quê? Ir pra onde? E com que armas eu vou mudar?"
"Os ricos nunca pensam que um dia podem acordar pobres."
"Todos são muito simpáticos desde que ninguém os ameace."
"Os extremistas criaram a mística do povo, mas o povo não vale nada. O povo é cego e vingativo. Se derem olhos ao povo, o que fará o povo? Onde está a sua consciência?"
"Estamos podres pelos crimes que cometemos..."
"A morte como fé, não como temor!"
"A culpa não é do povo, mas saem correndo atrás do primeiro que aparece com uma espada e uma cruz."
"A minha loucura é a minha consciência, e a minha consciência está aqui no momento da verdade, na hora da decisão, na luta, mesmo na certeza da morte!"
trechos do filme "Terra em transe", 1967 de Glauber Rocha
(obrigada Gustavo ;D)
(sim, eu fiquei com um papelzinho na mão, parando o filme pra anotar as falas.. ¬¬')
segunda-feira, 12 de julho de 2010
não mudou muita coisa
QUADRILHA
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Carlos Drummond de Andrade
2000
João foi para São Paulo, Teresa para o prostíbulo,
Raimundo virou homosexual, Maria foi assassinada pelo ex-namorado drogado,
Joaquim suicidou-se (já ia morrer de cirrose hepática mesmo) e Lili...
Lili morreu seca, de câncer, mas seca
(nada de J. Pinto Fernandes, por favor!)
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Carlos Drummond de Andrade
2000
João foi para São Paulo, Teresa para o prostíbulo,
Raimundo virou homosexual, Maria foi assassinada pelo ex-namorado drogado,
Joaquim suicidou-se (já ia morrer de cirrose hepática mesmo) e Lili...
Lili morreu seca, de câncer, mas seca
(nada de J. Pinto Fernandes, por favor!)
a mochila
é.. faz tempo que eu prometi isso. Demorou, mas eu tinha que me focar direito, porque assim como o texto, a pessoa a que ele se refere é muito importante.. Enfim, vai dar pra saber de quem eu to falando..
Eu não devia pegar acontecimentos da minha vida e transformá-los nessas babaquices que se lê aqui.. mas esse acontecimento em especial precisa ser retratado, e... eu prometo TENTAR não transformar em babaquice.
ok, lá vai.
Da plateia era possível ouvir uns sopros vindos lá da coxia. Todos ficaram quietos, em silêncio, para ouvi-la melhor.
E ela só estava aquecendo..
A poltrona em que estávamos rugia de modo extremamente inconveniente quando tentávamos nos acomodar.
As luzes se apagaram.
Ouvi alguém sussurrar "vai começar"
e então ela entra..
só o que saiu da minha boca foi "wow, ela ta linda",
mas ela estava mais que isso.
o vestido, um longo rosa sem mangas, esvoaçante, caiu perfeitamente. Tinha pregas na parte solta, na parte da saia, e a cor... não era um rosa enjoativo, era um rosa.. quase lilás, só que escuro.. perfeito com o tom de sua pele.
Do colar, um pingente delicado caía singelamente em suas lindas saboneteiras... tão magrinha...
ahh, como se o vestido não fosse suficiente... o cabelo..
além da franjinha linda que escondia seus olhos quando ela ficava com vergonha, o resto do longo cabelo pendia em ondas perfeitas, nem muito lisas, nem muito cacheadas, de um rabo de cavalo.
e o conjunto disso tudo me fez lembrar uma deusa grega.
quando os aplausos e as exclamações de como ela estava bonita cesssaram, uma luz incidiu sobre ela e sua flauta,
tudo escuro, a não ser por ela
Começou, com uma melodia suave.. tão suave como ela.
os calafrios vieram à tona... era só o começo.
Ela fazia rápidos movimentos com os dedos. Ia levantando a flauta de vez em quando, como se estivesse flutuando.
de repente eu me encontrei.
A música havia acabado, só então percebi que minha boca estava entreaberta, e que já havia se passado certo tempo.
silêncio
PORQUE NÃO PODE APLAUDIR????
a minha vontade era de levantar e bater palma até que as mãos doessem
mas fui reprimida pela vergonha que sentiria depois.
Olhei para o meu lado e vi a expressão de Mike.. parecia ser a mesma que a minha.. Ele segurava as mãos para que não batessem por vontade própria.
Mais uma música.. era como se existisse só ela alí.
Meus olhos foram dando zoom.
Sem querer eu fui me inclinando, a parte iluminada do palco ia cada vez mais tomando espaço na minha visão, fui me afastando da cadeira e.. droga, maldita cadeira! O barulho teria passado despercebido se nos encontrássemos na rodoviária ao meio-dia. Mas estávamos em um recital de flauta transversal.. então.. é.
todos estavam com medo de se mexer, ninguém queria propagar qualquer tipo de som que viesse a atrapalhar ou interferir a melodia que vinha da flauta.
Até engolir faria barulho alí..
Outro intervalo curto de silêncio. Mike me cutuca e me mostra em seu celular: "calafrios supremos".
Mike estava completamente certo.
E os calafrios continuaram, assim como as músicas.
Mike me cutuca novamente, dessa vez pra me mostrar a expressão das pessoas ao lado.
Todos inclinados pra frente, Lúcia Helena estava literalmente de boca aberta. Não se mexia.
Gabriel, ao lado de Lúcia Helena, estava mais inclinado ainda, tinha a mão no queixo e os olhos perspicazes, tentando, pelo que eu entendi, absorver a complexa e perfeita combinação das notas. Todo o resto da fileira se comportava da mesma maneira.. ótimo, não era só eu que estava perplexa, com cara de paspalha... mas eles talvez estivessem-também-, por outros motivos, motivos que eu só entenderia se tivesse um cromossomo Y.. bom, não era total culpa deles, ela estava deixando todos abobalhados.
o piano de calda preto (perfeito) começou a acompanhá-la. Não sei em termos de música, mas pra mim, quem tava acompanhando alí era o piano! enfim, a música começava a soar familiar, eu devia conhecer de algum lugar.. cadê o livrinho?
peguei o livrinho (qual é o nome disso?) e fui ver que música era.. quem disse que eu entendi?? enfim, outra coisa me chamou a atenção
CLARISSA MOTINS CARROS
(haaaaaaaaaaaahahahaha, não acredito que transformei seu nome nisso, mochila!)
"Nascida em Brasília, em 1993,... Venceu o Concurso Chiquinha Gonzaga de música de Câmara da EMB do 2º semestre de 2008 e o 2º Concurso Jovens Solistas da Orquestra Sinfônica da EMB..."
(mochila, eu entendo que já deve ser comum ganhar todos esses prêmios pra você, mas como assim, você não falou pra pri??)
Enfim, era basicamente a história de vida da mochila.
Do outro lado da folha tinha Händel e outros mais que, me desculpem, não faziam a menor diferença!
(hahaaaa, descobri qual era a música "suite antique (waltz)" do J. Rutter. > ouçam!)
intervalo básico.
Todos aproveitam para se acomodar direito na poltrona, para fazer qualquer tipo de barulho.. as pessoas estavam extasiadas demais pra conversar, só sabiam dizer quanto aquilo era lindo.. gaguejando.
De repente alguém senta do meu lado. "oi" a pessoa diz.
eu instintivamente falo "oi" antes de me virar. E quando viro.. não acredito "você veio?"
ele me olha com aquela cara de "vim, e daí?"
mas essa cara não conseguiu reprimir o sorriso que eu abri.. sem necessidade.
As luzes se apagam, Lúcia Helena diz "silêncio, vocês aí!"
Mochila volta, com mais alguns jovens e.. "uhh um contrabaixo de verdade!"
dessa vez eu tinha certeza, todos iam de acordo com a mochila.
A mochila dava uma pausinha curta e todos olhavam esperando que ela recomeçasse, para irem junto. A comunicação no olhar deles era... linda. todos, com exeção da mochila, estavam sentados.. parecia que a mochila conduzia tudo alí, ela era a mestra *-*
me foquei na mochila de novo.
ok, imaginem uma flor boiando na água, girando e lentamente se abrindo com um holofote em cima... era a mochila.
Só me dei conta de que estava sorrindo quando, de repente, as pessoas começaram a aplaudir, loucamente
siim, aplausos, que alívio
as luzes se acenderam
"acabou? como assim acabou??"
as palavras "magnífica" e "explêndida" vieram à minha cabeça
foi... tão... mágico
Eu não devia pegar acontecimentos da minha vida e transformá-los nessas babaquices que se lê aqui.. mas esse acontecimento em especial precisa ser retratado, e... eu prometo TENTAR não transformar em babaquice.
ok, lá vai.
Da plateia era possível ouvir uns sopros vindos lá da coxia. Todos ficaram quietos, em silêncio, para ouvi-la melhor.
E ela só estava aquecendo..
A poltrona em que estávamos rugia de modo extremamente inconveniente quando tentávamos nos acomodar.
As luzes se apagaram.
Ouvi alguém sussurrar "vai começar"
e então ela entra..
só o que saiu da minha boca foi "wow, ela ta linda",
mas ela estava mais que isso.
o vestido, um longo rosa sem mangas, esvoaçante, caiu perfeitamente. Tinha pregas na parte solta, na parte da saia, e a cor... não era um rosa enjoativo, era um rosa.. quase lilás, só que escuro.. perfeito com o tom de sua pele.
Do colar, um pingente delicado caía singelamente em suas lindas saboneteiras... tão magrinha...
ahh, como se o vestido não fosse suficiente... o cabelo..
além da franjinha linda que escondia seus olhos quando ela ficava com vergonha, o resto do longo cabelo pendia em ondas perfeitas, nem muito lisas, nem muito cacheadas, de um rabo de cavalo.
e o conjunto disso tudo me fez lembrar uma deusa grega.
quando os aplausos e as exclamações de como ela estava bonita cesssaram, uma luz incidiu sobre ela e sua flauta,
tudo escuro, a não ser por ela
Começou, com uma melodia suave.. tão suave como ela.
os calafrios vieram à tona... era só o começo.
Ela fazia rápidos movimentos com os dedos. Ia levantando a flauta de vez em quando, como se estivesse flutuando.
de repente eu me encontrei.
A música havia acabado, só então percebi que minha boca estava entreaberta, e que já havia se passado certo tempo.
silêncio
PORQUE NÃO PODE APLAUDIR????
a minha vontade era de levantar e bater palma até que as mãos doessem
mas fui reprimida pela vergonha que sentiria depois.
Olhei para o meu lado e vi a expressão de Mike.. parecia ser a mesma que a minha.. Ele segurava as mãos para que não batessem por vontade própria.
Mais uma música.. era como se existisse só ela alí.
Meus olhos foram dando zoom.
Sem querer eu fui me inclinando, a parte iluminada do palco ia cada vez mais tomando espaço na minha visão, fui me afastando da cadeira e.. droga, maldita cadeira! O barulho teria passado despercebido se nos encontrássemos na rodoviária ao meio-dia. Mas estávamos em um recital de flauta transversal.. então.. é.
todos estavam com medo de se mexer, ninguém queria propagar qualquer tipo de som que viesse a atrapalhar ou interferir a melodia que vinha da flauta.
Até engolir faria barulho alí..
Outro intervalo curto de silêncio. Mike me cutuca e me mostra em seu celular: "calafrios supremos".
Mike estava completamente certo.
E os calafrios continuaram, assim como as músicas.
Mike me cutuca novamente, dessa vez pra me mostrar a expressão das pessoas ao lado.
Todos inclinados pra frente, Lúcia Helena estava literalmente de boca aberta. Não se mexia.
Gabriel, ao lado de Lúcia Helena, estava mais inclinado ainda, tinha a mão no queixo e os olhos perspicazes, tentando, pelo que eu entendi, absorver a complexa e perfeita combinação das notas. Todo o resto da fileira se comportava da mesma maneira.. ótimo, não era só eu que estava perplexa, com cara de paspalha... mas eles talvez estivessem-também-, por outros motivos, motivos que eu só entenderia se tivesse um cromossomo Y.. bom, não era total culpa deles, ela estava deixando todos abobalhados.
o piano de calda preto (perfeito) começou a acompanhá-la. Não sei em termos de música, mas pra mim, quem tava acompanhando alí era o piano! enfim, a música começava a soar familiar, eu devia conhecer de algum lugar.. cadê o livrinho?
peguei o livrinho (qual é o nome disso?) e fui ver que música era.. quem disse que eu entendi?? enfim, outra coisa me chamou a atenção
CLARISSA MOTINS CARROS
(haaaaaaaaaaaahahahaha, não acredito que transformei seu nome nisso, mochila!)
"Nascida em Brasília, em 1993,... Venceu o Concurso Chiquinha Gonzaga de música de Câmara da EMB do 2º semestre de 2008 e o 2º Concurso Jovens Solistas da Orquestra Sinfônica da EMB..."
(mochila, eu entendo que já deve ser comum ganhar todos esses prêmios pra você, mas como assim, você não falou pra pri??)
Enfim, era basicamente a história de vida da mochila.
Do outro lado da folha tinha Händel e outros mais que, me desculpem, não faziam a menor diferença!
(hahaaaa, descobri qual era a música "suite antique (waltz)" do J. Rutter. > ouçam!)
intervalo básico.
Todos aproveitam para se acomodar direito na poltrona, para fazer qualquer tipo de barulho.. as pessoas estavam extasiadas demais pra conversar, só sabiam dizer quanto aquilo era lindo.. gaguejando.
De repente alguém senta do meu lado. "oi" a pessoa diz.
eu instintivamente falo "oi" antes de me virar. E quando viro.. não acredito "você veio?"
ele me olha com aquela cara de "vim, e daí?"
mas essa cara não conseguiu reprimir o sorriso que eu abri.. sem necessidade.
As luzes se apagam, Lúcia Helena diz "silêncio, vocês aí!"
Mochila volta, com mais alguns jovens e.. "uhh um contrabaixo de verdade!"
dessa vez eu tinha certeza, todos iam de acordo com a mochila.
A mochila dava uma pausinha curta e todos olhavam esperando que ela recomeçasse, para irem junto. A comunicação no olhar deles era... linda. todos, com exeção da mochila, estavam sentados.. parecia que a mochila conduzia tudo alí, ela era a mestra *-*
me foquei na mochila de novo.
ok, imaginem uma flor boiando na água, girando e lentamente se abrindo com um holofote em cima... era a mochila.
Só me dei conta de que estava sorrindo quando, de repente, as pessoas começaram a aplaudir, loucamente
siim, aplausos, que alívio
as luzes se acenderam
"acabou? como assim acabou??"
as palavras "magnífica" e "explêndida" vieram à minha cabeça
foi... tão... mágico
quarta-feira, 7 de julho de 2010
de praxe II
A filha ouve os conhecidos passos chegando até seu quarto. Já se preparando para as repetitivas respostas que viria a dar. Que pena, logo na melhor parte do livro..
"Mulher, a nossa filha não veio pra casa hoje não?" a voz estridente grita do corredor.
A mãe responde do outro quarto "Ela ta aí!"
O pai, nem sequer parou para ouvir o que sua mulher dizia "ela almoçou no colégio? FILHA!"
A filha responde como se sua voz estivesse se encolhendo "to aqui, pai"
O pai entra no quarto, olha para o livro e diz "você ta lendo esse livro de novo? é o mesmo, né? ainda bem que a minha filha gosta de ler"
Mal sabe ele que aquele tipo de literatura... não é lá muito boa pra racionalidade humana
O pai olha longamente para a filha... que já esperava essa parte do discurso
"eeeita filha, mas ta cheia de espinha"
A filha continua a olhar para o livro, como se conseguisse voltar às palavras de onde havia parado.
"sua mãe já te levou no médico de..?"
A seguinte conversa sempre se repetia, todos os dias que eles se encontravam:
("não"
"NÃO?? e vai levar quando?"
"não sei"
"já marcou?"
"já"
"fala pra ela te levar, você já ta toda estourada")
mas nesse dia, a resposta foi diferente:
"já"
"e o que ela disse?"
"não é da sua conta"
"claro que é, eu sou seu pai..."
A mãe que ouvia tudo grita do outro quarto "Homem, isso é coisa de mulher!"
O pai, fingindo que não tinha ouvido, continua "a médica ligou assustada dizendo que seus hormônios tavam muito altos no último exame, mais altos que o normal.."
o outro filho entra no quarto pra pedir permissão para...
a filha explode "PAI, EU NÃO TO GRÁVIDA!"
...
Saiu, finalmente. Não aguentava mais essa lenga lenga.
O pai fica paralisado. O outro filho, que entrara na hora errada, permanece de cabeça baixa. A mãe fica quieta no outro quarto.
A filha, olha pra baixo ainda vermelha e gagueja "... se.. é isso que você quer saber.."
... silêncio constrangedor
O filho sai do quarto.
O pai levanta a cabeça, ainda de olhos arregalados olha para a filha e sai do quarto. O episódio fora desnecessário.
A filha enfia a cabeça no travesseiro e pensa "não, não era isso que ele queria saber.."
E fica o resto do tempo pensando em qual seria a próxima observação/alegação/motivo que o pai inventaria para ter sua atenção.
Mas isso já era de praxe
"Mulher, a nossa filha não veio pra casa hoje não?" a voz estridente grita do corredor.
A mãe responde do outro quarto "Ela ta aí!"
O pai, nem sequer parou para ouvir o que sua mulher dizia "ela almoçou no colégio? FILHA!"
A filha responde como se sua voz estivesse se encolhendo "to aqui, pai"
O pai entra no quarto, olha para o livro e diz "você ta lendo esse livro de novo? é o mesmo, né? ainda bem que a minha filha gosta de ler"
Mal sabe ele que aquele tipo de literatura... não é lá muito boa pra racionalidade humana
O pai olha longamente para a filha... que já esperava essa parte do discurso
"eeeita filha, mas ta cheia de espinha"
A filha continua a olhar para o livro, como se conseguisse voltar às palavras de onde havia parado.
"sua mãe já te levou no médico de..?"
A seguinte conversa sempre se repetia, todos os dias que eles se encontravam:
("não"
"NÃO?? e vai levar quando?"
"não sei"
"já marcou?"
"já"
"fala pra ela te levar, você já ta toda estourada")
mas nesse dia, a resposta foi diferente:
"já"
"e o que ela disse?"
"não é da sua conta"
"claro que é, eu sou seu pai..."
A mãe que ouvia tudo grita do outro quarto "Homem, isso é coisa de mulher!"
O pai, fingindo que não tinha ouvido, continua "a médica ligou assustada dizendo que seus hormônios tavam muito altos no último exame, mais altos que o normal.."
o outro filho entra no quarto pra pedir permissão para...
a filha explode "PAI, EU NÃO TO GRÁVIDA!"
...
Saiu, finalmente. Não aguentava mais essa lenga lenga.
O pai fica paralisado. O outro filho, que entrara na hora errada, permanece de cabeça baixa. A mãe fica quieta no outro quarto.
A filha, olha pra baixo ainda vermelha e gagueja "... se.. é isso que você quer saber.."
... silêncio constrangedor
O filho sai do quarto.
O pai levanta a cabeça, ainda de olhos arregalados olha para a filha e sai do quarto. O episódio fora desnecessário.
A filha enfia a cabeça no travesseiro e pensa "não, não era isso que ele queria saber.."
E fica o resto do tempo pensando em qual seria a próxima observação/alegação/motivo que o pai inventaria para ter sua atenção.
Mas isso já era de praxe
terça-feira, 6 de julho de 2010
de praxe
A mãe, ocupada em botar os pratos na mesa, nem percebe a filha descer correndo pelas escadas e quase cair no último degrau. Já era de praxe.
A filha pega um dos pratos das mãos da mãe com rapidez suficiente para que a mãe leve um susto e quase deixe o copo que segurava na outra mão cair. Isso também já era de praxe.
Filha "nossa, to com uma fome"
A mãe acha estranho, a filha normalmente não fala isso.. não é de praxe.. "alguem avisou pro seu pai?"
A filha, com a boca já cheia, revira os olhos, levanta os ombros e faz sinal negativo com a cabeça
A mãe grita lá pra cima "fiilho, avisa pro seu pai que o almoço ta na mesa!"
Ninguém responde
"fiilho?"
"eu já TO indo!"
Lá de baixo ouve-se três batidas na porta de um dos quartos.
não há resposta.
"pai?" - silêncio - "PAI!?"
A voz mais grave, porém abafada pelo som alto da TV, responde "oi, filho"
"mamãe mandou avisar que o almoço já ta pronto"
Pai, que não havia ouvido nada diz "pode entrar, filho"
o filho desiste de competir com a televisão e entra.. Isso também já era de praxe.
"já ta na mesa"
"já ta na mesa?"
O pai não fazia ideia do que o filho estava falando, só procurava um defeito que tivesse passado despercebido por seus olhos, afinal, áinda não havia alegado nada naquele dia, que só estava começando.
O filho já esperando isso, tentou olhar pra baixo pra desviar do olhar do pai, mas isso também era de praxe... já sabia o que viria a seguir.
"sua mãe já te levou no douto.."
Filho interrompe "Já, pai. já falei."
"ah, é que eu tinha esquecido."
Esquecer já não era novidade, já era de praxe.
O filho vai saindo do quarto.
"ei, filho"
Ainda não havia acabado.
"que é pai?
O pai com voz mais baixa e melódica "vem aqui.."
O filho encosta na beirada da cama do pai e encara
"filho, seu aniversário ta chegando, né?"
"é"
"vai ser quando? dia 12?"
"16, pai"
"isso cai na segu..."
"sexta"
"filho, você já ta fazendo oonze anos?"
"13"
"treeeze. Gostou do joguinho que eu comprei pra você?"
O tal jogo era um guitar hero 3, mais um eletrônico como forma de desculpa, que o pai havia comprado no natal passado.
O filho ia abrir a boca pra responder mas o pai interrompe
"ihhhh seu olho ta inchado. Sua mãe já te levou no oftalmologista??? Não passa a mão, não esfrega o olho!"
A mãe, que ouvia um pouco da conversa com a filha, lá de baixo, para salvar o menino de mais um interrogatório grita
"vai esfriar!"
O filho aproveita pra descer, também correndo, mas antes passa no espelho do outro quarto. Olha para si mesmo, examina o próprio olho (totalmente normal) e pensa
"AINDA ta inchado? Qual é o problema do meu olho?"
A filha pega um dos pratos das mãos da mãe com rapidez suficiente para que a mãe leve um susto e quase deixe o copo que segurava na outra mão cair. Isso também já era de praxe.
Filha "nossa, to com uma fome"
A mãe acha estranho, a filha normalmente não fala isso.. não é de praxe.. "alguem avisou pro seu pai?"
A filha, com a boca já cheia, revira os olhos, levanta os ombros e faz sinal negativo com a cabeça
A mãe grita lá pra cima "fiilho, avisa pro seu pai que o almoço ta na mesa!"
Ninguém responde
"fiilho?"
"eu já TO indo!"
Lá de baixo ouve-se três batidas na porta de um dos quartos.
não há resposta.
"pai?" - silêncio - "PAI!?"
A voz mais grave, porém abafada pelo som alto da TV, responde "oi, filho"
"mamãe mandou avisar que o almoço já ta pronto"
Pai, que não havia ouvido nada diz "pode entrar, filho"
o filho desiste de competir com a televisão e entra.. Isso também já era de praxe.
"já ta na mesa"
"já ta na mesa?"
O pai não fazia ideia do que o filho estava falando, só procurava um defeito que tivesse passado despercebido por seus olhos, afinal, áinda não havia alegado nada naquele dia, que só estava começando.
O filho já esperando isso, tentou olhar pra baixo pra desviar do olhar do pai, mas isso também era de praxe... já sabia o que viria a seguir.
"sua mãe já te levou no douto.."
Filho interrompe "Já, pai. já falei."
"ah, é que eu tinha esquecido."
Esquecer já não era novidade, já era de praxe.
O filho vai saindo do quarto.
"ei, filho"
Ainda não havia acabado.
"que é pai?
O pai com voz mais baixa e melódica "vem aqui.."
O filho encosta na beirada da cama do pai e encara
"filho, seu aniversário ta chegando, né?"
"é"
"vai ser quando? dia 12?"
"16, pai"
"isso cai na segu..."
"sexta"
"filho, você já ta fazendo oonze anos?"
"13"
"treeeze. Gostou do joguinho que eu comprei pra você?"
O tal jogo era um guitar hero 3, mais um eletrônico como forma de desculpa, que o pai havia comprado no natal passado.
O filho ia abrir a boca pra responder mas o pai interrompe
"ihhhh seu olho ta inchado. Sua mãe já te levou no oftalmologista??? Não passa a mão, não esfrega o olho!"
A mãe, que ouvia um pouco da conversa com a filha, lá de baixo, para salvar o menino de mais um interrogatório grita
"vai esfriar!"
O filho aproveita pra descer, também correndo, mas antes passa no espelho do outro quarto. Olha para si mesmo, examina o próprio olho (totalmente normal) e pensa
"AINDA ta inchado? Qual é o problema do meu olho?"
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