"Cometi apenas um erro. Não soube ser feliz. Nunca: nem um só dia, nem sequer uma hora. A própria criação, um prazer para os poetas mais sensíveis, foi para mim sempre mais angustiante que redentora. A causa primeira do meu infortúnio, conheço-a agora. Tive sempre medo da vida. De uma sensibilidade exacerbada e doentia desde a mais tenra infância, atormentada e mortificada até a exaustão pelo infortúnio e pela miséria, a vida banal, as realidades quotidianas constituíam para mim uma fonte constante de terror. Tinha a impressão de viver continuamente preso no limite de dois reinos - ser uma criança semimorta unida em laço misterioso a um espectro nostálgico. A criança tinha medo da treva; o espectro da luz. Uma e outro aspiravam á morte e, simultaneamente, receavam-na. A vida era para mim aborrecimento, alucinação, condenação. Cada vez que eu tentava reconciliar-me com ela, saía maltratado, repelido. Fazia-me o efeito de um anjo que pretendesse participar num banquete de monstros. O próprio amor não logrou salvar-me porque a mulher é uma das mais perfeitas encarnações da vida, e eu tinha da vida um indizível terror. Todas as mulheres que julguei amar ou fugiram de mim, ou estão mortas. Uma vez mortas, e só então, elas pareciam realmente minhas amantes na eternidade, as únicas que poderiam amar um homem segregado da vida. Para escapar às minhas visões terrificantes, aos meus pesadelos, às tentações de minha razão delirante um gênio forçava-me a escrever, senhor mais titânico e exigente que um demônio. Escrevi, pois, toda a minha vida poemas, narrativas, contos, tratados, ensaios. Porém, mal experimentava a ilusão de pela poesia ter exorcizado a perseguição dos meus pavores, logo outras alucinações, outros pesadelos, outras bizarrices macabras e fúnebres assaltavam sem trégua a minha pobre alma acabrunhada. Então, como última esperança do meu desespero buscava socorro no álcool, que, aliás, abominava."
#tenso
ResponderExcluirParece que é realmente preciso ter o caos dentro de si para criar estrelas.
nossa...
ResponderExcluir(;
sessão 'o corvo', que tal?
Aquele filme do Brandon Lee(^^)?
ResponderExcluirAgora, falando sério, tem filme do Corvo do Poe?
é!
ResponderExcluireu lembrei, por causa do poema 'o corvo' do Poe.
Ah, tá. Pensei que fosse uma adaptação do poema, mesmo.
ResponderExcluirMas não sei se eu quero ver esse filme. Sei lá, ver o cara morrer sabendo que é de verdade é meio sinistro.
é por isso que eu quero ver :x
ResponderExcluirO.O *medo*
ResponderExcluirSe bem que esse deve ser o maior motivo pra todo mundo querer ver o filme...