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segunda-feira, 26 de julho de 2010

de praxe III

acabaram de acordar.
irmão: último dia.
irmã: graças a Deus.
irmão: tá doida??
irmã: você queria ficar mais tempo?
irmão: ah, entendi.
irmã: pelo menos no colégio a gente não tem que fugir.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

de praxe II

A filha ouve os conhecidos passos chegando até seu quarto. Já se preparando para as repetitivas respostas que viria a dar. Que pena, logo na melhor parte do livro..
"Mulher, a nossa filha não veio pra casa hoje não?" a voz estridente grita do corredor.
A mãe responde do outro quarto "Ela ta aí!"
O pai, nem sequer parou para ouvir o que sua mulher dizia "ela almoçou no colégio? FILHA!"
A filha responde como se sua voz estivesse se encolhendo "to aqui, pai"
O pai entra no quarto, olha para o livro e diz "você ta lendo esse livro de novo? é o mesmo, né? ainda bem que a minha filha gosta de ler"
Mal sabe ele que aquele tipo de literatura... não é lá muito boa pra racionalidade humana
O pai olha longamente para a filha... que já esperava essa parte do discurso
"eeeita filha, mas ta cheia de espinha"
A filha continua a olhar para o livro, como se conseguisse voltar às palavras de onde havia parado.
"sua mãe já te levou no médico de..?"
A seguinte conversa sempre se repetia, todos os dias que eles se encontravam:
("não"
"NÃO?? e vai levar quando?"
"não sei"
"já marcou?"
"já"
"fala pra ela te levar, você já ta toda estourada")
mas nesse dia, a resposta foi diferente:
"já"
"e o que ela disse?"
"não é da sua conta"
"claro que é, eu sou seu pai..."
A mãe que ouvia tudo grita do outro quarto "Homem, isso é coisa de mulher!"
O pai, fingindo que não tinha ouvido, continua "a médica ligou assustada dizendo que seus hormônios tavam muito altos no último exame, mais altos que o normal.."
o outro filho entra no quarto pra pedir permissão para...
a filha explode "PAI, EU NÃO TO GRÁVIDA!"
...
Saiu, finalmente. Não aguentava mais essa lenga lenga.
O pai fica paralisado. O outro filho, que entrara na hora errada, permanece de cabeça baixa. A mãe fica quieta no outro quarto.
A filha, olha pra baixo ainda vermelha e gagueja "... se.. é isso que você quer saber.."
... silêncio constrangedor
O filho sai do quarto.
O pai levanta a cabeça, ainda de olhos arregalados olha para a filha e sai do quarto. O episódio fora desnecessário.
A filha enfia a cabeça no travesseiro e pensa "não, não era isso que ele queria saber.."
E fica o resto do tempo pensando em qual seria a próxima observação/alegação/motivo que o pai inventaria para ter sua atenção.
Mas isso já era de praxe

terça-feira, 6 de julho de 2010

de praxe

A mãe, ocupada em botar os pratos na mesa, nem percebe a filha descer correndo pelas escadas e quase cair no último degrau. Já era de praxe.
A filha pega um dos pratos das mãos da mãe com rapidez suficiente para que a mãe leve um susto e quase deixe o copo que segurava na outra mão cair. Isso também já era de praxe.
Filha "nossa, to com uma fome"
A mãe acha estranho, a filha normalmente não fala isso.. não é de praxe.. "alguem avisou pro seu pai?"
A filha, com a boca já cheia, revira os olhos, levanta os ombros e faz sinal negativo com a cabeça
A mãe grita lá pra cima "fiilho, avisa pro seu pai que o almoço ta na mesa!"
Ninguém responde
"fiilho?"
"eu já TO indo!"
Lá de baixo ouve-se três batidas na porta de um dos quartos.
não há resposta.
"pai?" - silêncio - "PAI!?"
A voz mais grave, porém abafada pelo som alto da TV, responde "oi, filho"
"mamãe mandou avisar que o almoço já ta pronto"
Pai, que não havia ouvido nada diz "pode entrar, filho"
o filho desiste de competir com a televisão e entra.. Isso também já era de praxe.
"já ta na mesa"
"já ta na mesa?"
O pai não fazia ideia do que o filho estava falando, só procurava um defeito que tivesse passado despercebido por seus olhos, afinal, áinda não havia alegado nada naquele dia, que só estava começando.
O filho já esperando isso, tentou olhar pra baixo pra desviar do olhar do pai, mas isso também era de praxe... já sabia o que viria a seguir.
"sua mãe já te levou no douto.."
Filho interrompe "Já, pai. já falei."
"ah, é que eu tinha esquecido."
Esquecer já não era novidade, já era de praxe.
O filho vai saindo do quarto.
"ei, filho"
Ainda não havia acabado.
"que é pai?
O pai com voz mais baixa e melódica "vem aqui.."
O filho encosta na beirada da cama do pai e encara
"filho, seu aniversário ta chegando, né?"
"é"
"vai ser quando? dia 12?"
"16, pai"
"isso cai na segu..."
"sexta"
"filho, você já ta fazendo oonze anos?"
"13"
"treeeze. Gostou do joguinho que eu comprei pra você?"
O tal jogo era um guitar hero 3, mais um eletrônico como forma de desculpa, que o pai havia comprado no natal passado.
O filho ia abrir a boca pra responder mas o pai interrompe
"ihhhh seu olho ta inchado. Sua mãe já te levou no oftalmologista??? Não passa a mão, não esfrega o olho!"
A mãe, que ouvia um pouco da conversa com a filha, lá de baixo, para salvar o menino de mais um interrogatório grita
"vai esfriar!"
O filho aproveita pra descer, também correndo, mas antes passa no espelho do outro quarto. Olha para si mesmo, examina o próprio olho (totalmente normal) e pensa
"AINDA ta inchado? Qual é o problema do meu olho?"