"Francine Bower estava de volta com seu caderno de anotações.
- Como foi que Jane morreu?
- Bem, eu estava com outra pessoa nessa época. A gente tinha se separado dois anos antes, e eu apareci pra visitar ela pouco antes do Natal. Ela era criada num hotel e muito popular. Todo mundo no hotel já lhe dera uma garrafa de vinho. E lá no quarto dela tinha uma prateleirinha que corria ao longo da parede logo abaixo do teto, e na prateleira devia haver 18 ou 19 garrafas.
'-Se você tomar essa bebida toda, e eu sei que vai, ela vai te matar! Será que esse pessoal não vê isso?'
'Jane apenas olhou para mim.
' - Eu vou tirar todas essas porras de garrafas daqui. Este pessoal está tentando matar você!'
'Também dessa vez ela só olhou pra mim. Fiquei com ela nessa noite e bebi três das garrafas, o que reduziu o número para 15 ou 16. Pela manhã, quando saí, disse a ela:
'- Por favor, não beba isso tudo...'
'Voltei uma semana e meia depois. A porta estava aberta. Não tinha mais garrafas no quarto. Localizei ela no Hospital Municipal de L.A. Estava em coma alcoólico. Fiquei lá sentado por um longo tempo, só olhando para ela, umedecendo os lábios dela com água, afastando os cabelos dos olhos. As enfermeiras nos deixaram em paz. Aí, de repente, ela abriu os olhos e disse:
'- Eu sabia que seria você.'
'Três horas depois estava morta.' "
- Charles Bukowski
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