sexta-feira, 14 de junho de 2013

O amanhã não depende de você pra existir.

Gato e Cachorro

Gato e Cachorro,
Suas postagens me lembram de quando eu tinha 8 anos de idade.
A maturidade não vem num copo de whisky
O amor é mais simples do que você pensa.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Não tenho coragem do real suicídio;
Enquanto isso pratico o virtual.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Il est beau comme le soleil.

domingo, 16 de setembro de 2012

Reticências dizem tudo.

3F

Falta-me a poesia e o que sobra é a encenação.
Fui criada para produzir roteiros que só fazem sentido se encenados. Só tocam a mim e à minha imaginação.
Fazer o quê...

domingo, 2 de setembro de 2012

Emma

"Permaneceu  perdida em seu assombro, tendo consciência de si mesma pelas batidas de suas artérias que ela julgava ouvir fluir como uma ensurdecedora música que enchia o campo. O solo, sob seus pés, era mais mole do que uma onda, e os sulcos pareceram-lhe imensas vagas escuras que rebentavam. Todas as reminiscências, as ideias que havia em sua cabeça, escapavam-se ao mesmo tempo, de uma única vez, como os mil pedaços de um fogo de artifício. Viu seu pai, o gabinete de Lheureux, o quarto de hotel, uma outra paisagem. A loucura assaltava-a, teve medo e chegou a controlar-se, mas confusamente, é verdade; pois não lembrava a causa de seu horrível estado, isto é, a questão do dinheiro. Sofria somente em seu amor e sentia sua alma abandoná-la com aquela lembrança, como os feridos, ao agonizar, sentem a existência esvair-se por sua chaga que sangra." (Madame Bovary, pg. 387 - Gustave Flaubert)

Ilusão

Ilusão é imaginar-se vivendo (d)aquilo.
E a partir daí pra quê a vida? (que vida?)
"Defina vida"  (talvez, em prática, algo tão subjetivo quanto seu próprio nome. pó, poeira, mente, ilusão.)


Ilusão é
Subexistir.



Suprir-me com a fome de quem está prestes a morrer e ao mesmo tempo com gula, luxúria... Suprimir-me.
O pão nosso de cada dia.
O oásis, a água...


Eu não me iludi. Eu tentei






viver.

terça-feira, 8 de maio de 2012

parou. parei.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

quando não ousávamos

a superficialidade toma conta e todo mundo sorri.
"você é muito ingênua" - Você não sabe o que diz
o que eu vi
o que eu vivi.
quando pouco era muito, quando pouco era tudo,
quando tudo era blefe, quando não ousávamos
ah, quando não ousávamos...

ainda assim, a caminhada continua sendo melhor que a linha de chegada... só que eles não sabem disso. (Eles, eles, eles...) ou fingem não saber, porque é mais... aceitável.
É mais aceitável ser um imbecil sociável que um imbecil apático. Mas isso é óbvio, pra que discutir isso?
de um jeito ou de outro você sempre será um imbecil.



- "o que aconteceu com a gente?..."





nota: talvez nada tenha acontecido.
nota 2: talvez essa seja apenas você tentando se adaptar ao mundo-maravilha dos outros
nota 3: talvez esse mundo seja prático demais pra você
nota 4: talvez tatuando um código de barras a ideia entre definitivamente como a tinta entra na pele.

sábado, 21 de abril de 2012

apatia

your attempts are worthless to people
why trying?
why caring?
why living?

sexta-feira, 30 de março de 2012

"... no Egito, enquanto houver as pirâmides, haverá dança do ventre."


aos filhos da "puta"



pg. 300



"Ele teria de percorrer todos os Estados Unidos vasculhando cada depósito de lixo, de costa a costa, antes de me encontrar embrionariamente enroscado entre o lixo da minha vida, da vida dele e de todo mundo - os que tinham e os que não tinham nada a ver com isso. O que diria eu para ele do fundo deste meu útero de sujeira? 'Ora, não enche meu saco, cara, estou feliz aqui. Você me perdeu naquela noite em Detroit, em agosto de 1949. Que direito tem de chegar e perturbar meus devaneios aqui nessa lata de lixo gosmenta?'"
"No decorrer da noite, pelo menos uma centena de marinheiros e civis das mais variadas espécies arremessaram sobre mim a gentil carga de suas entranhas até me deixarem irreconhecivelmente coberto. Mas no fundo, que diferença faz? O anonimato no mundo dos homens é melhor do que a fama no céu, porque... o que é o céu, no fim das contas? E a terra, o que é? Tudo ilusório."

- On The Road, Jack Kerouac

sábado, 24 de março de 2012

a morte da inocência

o que eu vi...



é, enfim, a morte da inocência.

Um poço de possíveis acontecimentos impossíveis. Sou eu.

Tudo pela metade, negado, como erro.
(mas o erro maior não teria sido continuar?) 
Eu sou medo, inércia, "Que nada aconteça".
("Que tudo aconteça". "Que qualquer coisa aconteça.")


E assim os outros seguem, sem mim, como pedi.

quarta-feira, 21 de março de 2012

e de repente a mancha na parede toma forma de lagartixa e sai correndo.
é isso aê.

sábado, 25 de fevereiro de 2012


escrevo, publico, edito, publico, apago.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Hey Foxymophandlemama, That's Me


Don't you want people to love you?
My spanking, that's the only thing I want so much...
Spanking, that's the only thing I want so much...
That's the only thing I want so much...
Don't you want people to love you?
My spanking, that's the only thing I want so much...
That's the only thing I want so much...
Why is that better than being hugged?
Why is that better than being hugged?
Because you get closer to the person...
Closer to the person...
Why is that better than being hugged?
Because you get closer to the person...
Closer to the person...
Just like a person having sex feels cared for...
We wanna be loved, so we have sex together...
And they feel loved about that...
And this is the way it makes me feel...loved...
I want it, I dream about it, I think about it, I want it...
Just like a girl wants sex with a boy, you know?
It's the way I'll always be probably...
My last one was born in the system...
See, they're stupid, very stupid, those people over there...
They're stupid...
These people are so below mentality, honest to G-d, really...
You know what I mean, he got the nerve to bug me... (x2)
This mentality, honest to G-d, really...
You know what I mean, he got the nerve to bug me...
Honest to G-d, really...
You know what I mean, he got the nerve to bug me...
Bug me...bug me...he got the nerve to bug me...
Everything seems so eight ball... (x2)
And I, I don't know if that's my imagination, but, umm...
Hey foxymophandlemama, that's me...
And I don't know if that's my imagination, but, umm...
Hey foxymophandlemama, that's me... (x2)
Think they got me...
Hey foxymophandlemama, that's me...hmm...
Hey foxymophandlemama, that's me...
...Know if that's my imagination, but, umm...
Hey foxymophandlemama, that's me...
She prides herself on her cleaning habits... (x2)
Hey foxymophandlemama, that's me...
She prides herself on her cleaning habits... (x2)
It's a lovely stupid mop, it is...
There's something really screwy about no streaking...
Is it any old dumb mop? It streaks...
Come on mop, no streaking mop...
I don't mind mop the floor, my mop streaks, I don't like it...
It's not me, it's the mop...
Come, I bought some new mops...
Go away you stupid, dumb old sponge mop...
I don't believe it...now the floor looks beautiful... (x2)
I don't believe it...old sponge mop...
Dumb old sponge mop... (x2)
Old sponge mop...
Dumb old sponge mop...
You're right, this mop's stupid...
Dumb old sponge mop...
I don't believe it...now the floor looks beautiful...
That's why they call me mophandlemama...
Now the floor looks beautiful...
That's why they call me mophandlemama... (x3)
In two weeks, before she could see herself not dressed...
The twenty-third of May...you know she disturbed no one today...
The manager told her to completely forget...
If you ever go to bed, I'll kill you...
Do I tell the whole world that I'm mentally ill?
Go to the papers...yeah, why not?
Drum roll...
I want to show them that I can walk on my own without hands of
theirs...
And, I can still fantasize, but I keep it to myself...
Keep it to myself...keep it to myself...
I think I deserve to be loved, don't you?
Very much so...
Think I deserve to be loved...
Keep it to myself...keep it to myself...
I think I deserve to be loved, don't you?
...To be loved, don't you?
But I keep it to myself...
Keep it to myself...keep it to myself...
I think I deserve to be loved, don't you?
And, I can still fantasize, but I keep it to myself...
Keep it to myself...keep it to myself...
I think I deserve to be loved, don't you?
Very much so...
Do you ever think that you would actually, really kill yourself?
Well, if I have thought about it real, uhh, real deep...
Yes, I believe I would...
I have thought about it real, uhh, real deep...
Yes, I believe I would...
And, I can still fantasize, but I keep it to myself...
Keep it to myself...keep it to myself...
...that I can walk without hands of theirs...
And, I can still fantasize, but I keep it to myself... (x2)
Keep it to myself...keep it to myself...
I think I deserve to be loved, don't you?
Very much so...
Do you ever think that you actually would kill yourself?
Well, if I have thought about it real, uhh, real deep...
Yes, I believe I would...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

about being safe - Prólogo

PRÓLOGO

- Antônio

   Acordei com aquele gosto ruim na boca.
   Enrolei um pouco debaixo do lençol pra ver se ganhava mais tempo.
   Inútil, como sempre...
   Resolvi levantar logo, e procurar algo pra comer... Não tinha nada.
  Peguei as chaves, a carteira e desci pra comprar pão esquecendo de trancar a porta como sempre.
  Debaixo do bloco vi o que pareciam ser dois homens na parte gramada do prédio. Era o porteiro e seu ajudante, olhando para... a grama.
   "Bom dia."
   Não houve resposta. Normalmente era o porteiro o primeiro a dar o bom dia, minha educação sempre foi  falha em relação a dele.
   Aí ouvi um grito agudo:
   "Nããão!"
   Olhei para o jardim e através das pernas dos homens, entendi o que estavam a olhar.

   Era Camila.
.
.
.
   Corri até lá e afastei os homens. Apesar de não estarem fazendo mal algum.
   "Camila!"
   Ela olhava fixamente para o sol, sem se importar com a claridade à tona. Onde não havia tecido para cobrir sua pele, havia, com certeza, um misto onde não se distinguia o que era sujeira e o que era ferimento.
   "Camila!"
 "O senhor conhece essa mulher?" - perguntou o porteiro com ar desconfiado.
   "Sim, é minha amiga... colega."
   "Bom, então a responsabilidade é sua, agora."
   "Que responsabilidade?"
   "Aparentemente ela passou a noite inteira aqui, ou quem sabe mais... - e franziu a testa - Tentamos... removê-la daí, mas qualquer esforço foi inútil. É só chegar perto que ela grita."
   Claro...
   "Camila, olha pra mim!"
   O ajudante arriscou falar:
   "O senhor é o Dr. Antônio, não é? Ela falou algo parecido com o seu nome."
   Logo veio a repreensão do mais velho:
   "Por que não me disse isso antes, rapaz? - virou-se para mim - Me desculpe, senhor, ele é novo. Se eu soubesse disso antes, teria lhe chamado."
   "Ela falou mais alguma coisa?"
   "Sim senhor, ela ficou repetindo... algo em inglês, mas um humilde empregado como eu não..."
    O ajudante interrompeu:
   "Eu ouvi ela falando que não queria ser Majnum. Majnum, Majnum... Parece nome de marca de sabonete. Hehe"
    Logo então me lembrei do conto que Camila havia me contado entre lençóis... há... alguns anos atras.
    Ah, a Camila daquela noite...
    Apesar das olheiras e da palidez, ela formava um quadro bonito entre as folhas... a grama já parecia crescer em sua volta como se ela já fizesse parte da terra.
   Me abaixei, mas não sabia se a tocava. Em seu rosto não havia expressão alguma. Mal piscava. Estava em um mundo completamente alheio ao nosso. Um mundo lá em cima.
   "Ah, Camila..."
   Numa rapidez incrível seus olhos focaram em mim... nunca foram tão grandes. Um misto de raiva e pedido de socorro. Sim, um pouco de auto-piedade e desculpas por, imagino, estar no mundo... 
   Camila disse que não voltaria mais a aparecer em minha vida. Mas prometer qualquer coisa é insanidade, já que não sabemos o que acontecerá no futuro. O futuro, o passado... não sei qual teria machucado mais Camila.    Bom, eu fazia parte do passado, não é...
   Passei a mão em seus cabelos. Costumavam ser tão macios...
   Mas ela me olhou com ódio, sem dizer uma palavra... Parecer ser digna de pena sempre foi uma afronta para ela.

   "Camila, sou eu. Antônio."

   Uma luz invadiu seu rosto. A primeira expressão.

   "Antônio não tinha barba." - sorriu e voltou a olhar para o céu - Antônio morava na 405... 405..."
   Nesse momento, o porteiro tossiu e o aprendiz riu. Camila sabia que era dela que riam. Mas daquele mundo terreno pouco importava. Uma lágrima escorreu de seu olho esquerdo.
"Quem está triste chora com o olho esquerdo, quem está feliz chora pelo direito." 
   Foi o que ela havia me dito em uma noite feliz enquanto eu perguntava porque chorava.
   "Camila, você está na 405. Você está no meu bloco, na verdade."
   Ela uniu as sobrancelhas do jeito que fazia quando parecia confusa e finalmente resolveu se levantar.
   "Mas o que..."
   Olhou incrédula em volta. As mesmas palmeiras haviam crescido um pouco, mas estavam no mesmo lugar de sempre, é claro.
   Camila ficou vermelha, olhou para baixo e, sem graça, tentou soltar minha mão:
   "Eu só queria... - piscou para clarear a mente - eu só queria que a terra me engolisse."




   (Os dois homens atrás de mim se afastaram com medo do que camila poderia ser. Ou ter.
   Eu não me afastei. 
   Pelo contrário, apertei minha mão ainda mais forte e a ajudei a se levantar.
   Ela cambaleou dois passos e caiu em cima de mim.
   Desmaiou.
   Foi então que o rapaz mais novo disse:
   "Ih, doutor, deve ser aquela coisa que a gente sente quando levanta rápido."
   Segurei-a no colo para levá-la ao apartamento e respondi:
   "É, acontece.")






‘The beloved is all in all, the lover only veils him. The beloved is all that lives, the lover a dead thing.

Leilah e Majnum 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

a Gardenitta

Warmth, moisture, light
Irene Hardwicke Olivieri

http://gardenitta.tumblr.com/

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Ismália

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...



-Alphonsus de Guimarães

roda-viva

Nada é para sempre.

Mas as coisas vão...



e voltam.
Sempre.

Impressionante é descobrir as coisas que aconteciam ao seu redor em uma época em que só o que se via era a escuridão.

Se eu fosse o dono do tempo estaria cansado de toda essa previsibilidade humana.
Se eu fosse a morte, riria da mediocridade dos laços de nossas vidas.

Mas eu sou homem.

Eu sou mulher.

E o meu fardo é sofrer com a angústia do incerto
mesmo sentindo que o certo já está sendo tramado por si só.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Hollywood, pg. 191

    "Francine Bower estava de volta com seu caderno de anotações.
    - Como foi que Jane morreu?
    - Bem, eu estava com outra pessoa nessa época. A gente tinha se separado dois anos antes, e eu apareci pra visitar ela pouco antes do Natal. Ela era criada num hotel e muito popular. Todo mundo no hotel já lhe dera uma garrafa de vinho. E lá no quarto dela tinha uma prateleirinha que corria ao longo da parede logo abaixo do teto, e na prateleira devia haver 18 ou 19 garrafas.
   '-Se você tomar essa bebida toda, e eu sei que vai, ela vai te matar! Será que esse pessoal não vê isso?'
   'Jane apenas olhou para mim.
   ' - Eu vou tirar todas essas porras de garrafas daqui. Este pessoal está tentando matar você!'
   'Também dessa vez ela só olhou pra mim. Fiquei com ela nessa noite e bebi três das garrafas, o que reduziu o número para 15 ou 16. Pela manhã, quando saí, disse a ela:
   '- Por favor, não beba isso tudo...'
   'Voltei uma semana e meia depois. A porta estava aberta. Não tinha mais garrafas no quarto. Localizei ela no Hospital Municipal de L.A. Estava em coma alcoólico. Fiquei lá sentado por um longo tempo, só olhando para ela, umedecendo os lábios dela com água, afastando os cabelos dos olhos. As enfermeiras nos deixaram em paz. Aí, de repente, ela abriu os olhos e disse:
   '- Eu sabia que seria você.'
   'Três horas depois estava morta.' "

- Charles Bukowski