é.. faz tempo que eu prometi isso. Demorou, mas eu tinha que me focar direito, porque assim como o texto, a pessoa a que ele se refere é muito importante.. Enfim, vai dar pra saber de quem eu to falando..
Eu não devia pegar acontecimentos da minha vida e transformá-los nessas babaquices que se lê aqui.. mas esse acontecimento em especial precisa ser retratado, e... eu prometo TENTAR não transformar em babaquice.
ok, lá vai.
Da plateia era possível ouvir uns sopros vindos lá da coxia. Todos ficaram quietos, em silêncio, para ouvi-la melhor.
E ela só estava aquecendo..
A poltrona em que estávamos rugia de modo extremamente inconveniente quando tentávamos nos acomodar.
As luzes se apagaram.
Ouvi alguém sussurrar "vai começar"
e então ela entra..
só o que saiu da minha boca foi "wow, ela ta linda",
mas ela estava mais que isso.
o vestido, um longo rosa sem mangas, esvoaçante, caiu perfeitamente. Tinha pregas na parte solta, na parte da saia, e a cor... não era um rosa enjoativo, era um rosa.. quase lilás, só que escuro.. perfeito com o tom de sua pele.
Do colar, um pingente delicado caía singelamente em suas lindas saboneteiras... tão magrinha...
ahh, como se o vestido não fosse suficiente... o cabelo..
além da franjinha linda que escondia seus olhos quando ela ficava com vergonha, o resto do longo cabelo pendia em ondas perfeitas, nem muito lisas, nem muito cacheadas, de um rabo de cavalo.
e o conjunto disso tudo me fez lembrar uma deusa grega.
quando os aplausos e as exclamações de como ela estava bonita cesssaram, uma luz incidiu sobre ela e sua flauta,
tudo escuro, a não ser por ela
Começou, com uma melodia suave.. tão suave como ela.
os calafrios vieram à tona... era só o começo.
Ela fazia rápidos movimentos com os dedos. Ia levantando a flauta de vez em quando, como se estivesse flutuando.
de repente eu me encontrei.
A música havia acabado, só então percebi que minha boca estava entreaberta, e que já havia se passado certo tempo.
silêncio
PORQUE NÃO PODE APLAUDIR????
a minha vontade era de levantar e bater palma até que as mãos doessem
mas fui reprimida pela vergonha que sentiria depois.
Olhei para o meu lado e vi a expressão de Mike.. parecia ser a mesma que a minha.. Ele segurava as mãos para que não batessem por vontade própria.
Mais uma música.. era como se existisse só ela alí.
Meus olhos foram dando zoom.
Sem querer eu fui me inclinando, a parte iluminada do palco ia cada vez mais tomando espaço na minha visão, fui me afastando da cadeira e.. droga, maldita cadeira! O barulho teria passado despercebido se nos encontrássemos na rodoviária ao meio-dia. Mas estávamos em um recital de flauta transversal.. então.. é.
todos estavam com medo de se mexer, ninguém queria propagar qualquer tipo de som que viesse a atrapalhar ou interferir a melodia que vinha da flauta.
Até engolir faria barulho alí..
Outro intervalo curto de silêncio. Mike me cutuca e me mostra em seu celular: "calafrios supremos".
Mike estava completamente certo.
E os calafrios continuaram, assim como as músicas.
Mike me cutuca novamente, dessa vez pra me mostrar a expressão das pessoas ao lado.
Todos inclinados pra frente, Lúcia Helena estava literalmente de boca aberta. Não se mexia.
Gabriel, ao lado de Lúcia Helena, estava mais inclinado ainda, tinha a mão no queixo e os olhos perspicazes, tentando, pelo que eu entendi, absorver a complexa e perfeita combinação das notas. Todo o resto da fileira se comportava da mesma maneira.. ótimo, não era só eu que estava perplexa, com cara de paspalha... mas eles talvez estivessem-também-, por outros motivos, motivos que eu só entenderia se tivesse um cromossomo Y.. bom, não era total culpa deles, ela estava deixando todos abobalhados.
o piano de calda preto (perfeito) começou a acompanhá-la. Não sei em termos de música, mas pra mim, quem tava acompanhando alí era o piano! enfim, a música começava a soar familiar, eu devia conhecer de algum lugar.. cadê o livrinho?
peguei o livrinho (qual é o nome disso?) e fui ver que música era.. quem disse que eu entendi?? enfim, outra coisa me chamou a atenção
CLARISSA MOTINS CARROS
(haaaaaaaaaaaahahahaha, não acredito que transformei seu nome nisso, mochila!)
"Nascida em Brasília, em 1993,... Venceu o Concurso Chiquinha Gonzaga de música de Câmara da EMB do 2º semestre de 2008 e o 2º Concurso Jovens Solistas da Orquestra Sinfônica da EMB..."
(mochila, eu entendo que já deve ser comum ganhar todos esses prêmios pra você, mas como assim, você não falou pra pri??)
Enfim, era basicamente a história de vida da mochila.
Do outro lado da folha tinha Händel e outros mais que, me desculpem, não faziam a menor diferença!
(hahaaaa, descobri qual era a música "suite antique (waltz)" do J. Rutter. > ouçam!)
intervalo básico.
Todos aproveitam para se acomodar direito na poltrona, para fazer qualquer tipo de barulho.. as pessoas estavam extasiadas demais pra conversar, só sabiam dizer quanto aquilo era lindo.. gaguejando.
De repente alguém senta do meu lado. "oi" a pessoa diz.
eu instintivamente falo "oi" antes de me virar. E quando viro.. não acredito "você veio?"
ele me olha com aquela cara de "vim, e daí?"
mas essa cara não conseguiu reprimir o sorriso que eu abri.. sem necessidade.
As luzes se apagam, Lúcia Helena diz "silêncio, vocês aí!"
Mochila volta, com mais alguns jovens e.. "uhh um contrabaixo de verdade!"
dessa vez eu tinha certeza, todos iam de acordo com a mochila.
A mochila dava uma pausinha curta e todos olhavam esperando que ela recomeçasse, para irem junto. A comunicação no olhar deles era... linda. todos, com exeção da mochila, estavam sentados.. parecia que a mochila conduzia tudo alí, ela era a mestra *-*
me foquei na mochila de novo.
ok, imaginem uma flor boiando na água, girando e lentamente se abrindo com um holofote em cima... era a mochila.
Só me dei conta de que estava sorrindo quando, de repente, as pessoas começaram a aplaudir, loucamente
siim, aplausos, que alívio
as luzes se acenderam
"acabou? como assim acabou??"
as palavras "magnífica" e "explêndida" vieram à minha cabeça
foi... tão... mágico
Ótimo relembrar aquele dia. Excelente descrição e escolha de pseudônimos.
ResponderExcluirMas, sabe, fica muito mais divertido quando a gente imagina que REALMENTE era uma mochila no palco.
vc só elogia a escolha de pseudônimos pq vc q escolheu o seu, né!?
ResponderExcluiraliás, eu quase tinha esquecido qual era..
ah, e é mochila pq ela me chamou de chaveiro!;D
meus comentários não chegam ai!!!!!!!
ResponderExcluirCOMO ASSIM????
AH!!!!!!
ResponderExcluiragora eu entendi como que é.....tem que ir em visualizar e tals....não faz sentido pedir pra visualizar apenas depois de mandar postar, mas tudo bem...
pois bem,
cara...
A D O R E I ; queria ter visto a cara de todo mundo enquanto tocava; sua briga com a cadeira também. RI muito com o nome!!! AH-HA! e NEM VEM pq eu te contei "sim" sobre os concursos!!! Um foi ano passado, fl e cl, e o outro esse ano: poder solar com o orq. sinfônica...mas eu deixo quieto pq...creio q falei das apresentações e do concurso...mas não que eu ganhei, apenas q eu toquei... he he
mas agora, sério...
quem ficou com cara de besta e com os olhos marejados dessa vez fui eu.
te amo minha amiga.
*-*
ResponderExcluirei, mas vc n falou q tinha ganhado!!
te amo tbm, mas vc já sabe ;p