sexta-feira, 30 de julho de 2010

a senhora

com a mesma cadeira de plástico branca, o mesmo vestido vermelho comprido, a mesma tiara na cabeça, a senhora descansava na rua.
era a mesma entrada de carros sem portão, a mesma frente da casa... que era azul. *-*, a mesma posição de sempre.
não era todos os dias, nem em dias alternados. Só quando ela queria, ou só quando você parava pra olhar além dos ônibus.
Ela ficava alí, de frente para a W3.
as pessoas apressadas nas ruas passavam e não a notavam. Os que por acaso o faziam, encaravam-na sem entender. "o que a senhora faz aqui? não tem mais nada pra fazer? o tempo corre, a vida é curta. Não há nada de bonito nessas ruas para se olhar. Vá para dentro de casa e coloque ao menos um portão para deixá-la segura. Muitos perigos rondam essa cidade, ainda mais para uma senhora."
a senhora, quando via, respondia com o olhar e uma sobrancelha levantada "vá cuidar de sua vida apressada" - ela não diria "foda-se"...

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